Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social 2025 Vol. 11(1): 27–42

Portuguese Journal of Behavioral and Social Research 2025 Vol. 11(1): 27–42

e-ISSN 2183-4938

Departamento de Investigação & Desenvolvimento • Instituto Superior Miguel Torga

 

ARTIGO DE REVISÃO

Diretrizes para revisões integrativas em psicologia*

Guidelines for integrative reviews in psychology

 

Luis Humbert Andrade de Lemos 1

Bruna Colombo dos Santos 2

Narciso José Batista Neto 3

Tiago Alfredo da Silva Ferreira 4

1 Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, Brasil

2 Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Feira de Santana, Brasil

3 Escola Bahiana de Médicina e Saúde Pública, Salvador, Brasil

4 Pratica Privada, Salvador, Brasil

* Artigo escrito em português do Brasil.

Recebido: 03/10/2024; Revisto: 29/11/2024; Aceite: 27/02/2025.

https://doi.org/10.31211/rpics.2025.11.1.366

 

Resumo

Contexto: Revisão Integrativa é um método de levantamento sistemático de literatura que possibilita a análise e síntese da literatura de modo abrangente integrando pesquisas teóricas e experimentais que utilizaram diferentes métodos. É apontado na literatura a necessidade da construção de diretrizes mínimas durante sua construção devido a um baixo consenso entre os pesquisadores na execução do método. Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma sistematização mais precisa e operacional de todas as etapas necessárias e suficientes para a condução de uma Revisão Integrativa. Método: Para tanto foi realizada uma análise dos itens relatados como necessários na construção de revisões sistemáticas no protocolo PRISMA e sua adequação ao método de Revisão Integrativa e etapas apresentadas em trabalhos de psicologia. Resultados: Conclui-se que dois itens se adequaram, 16 itens se adequaram parcialmente com modificações, nove itens não se adequaram e um item foi elaborado e adicionado. Ao final, um checklist com 15 itens foi construído e apresentado com exemplos dos relatos esperados para cada item elaborado. Conclusão: Conclui-se que o método de Revisão integrativa possuí características próprias e espera-se que o presente trabalho auxilie na diminuição da disparidade encontrada no campo que envolve as Revisões Integrativas em Psicologia e auxilie na promoção de replicação e extensão de pesquisas.

Palavras-Chave: Revisão integrativa; Métodos de revisão; Síntese de evidências; Psicologia baseada em evidências; Checklist Metodológico.

Abstract

Background: Integrative Review is a systematic literature review method that enables comprehensive analysis and synthesis of theoretical and empirical research using different methodologies. The literature highlights the need to establish minimum guidelines during its construction due to a lack of consensus among researchers in implementing the method. Objective: The aim is to present a precise systematization of all necessary and sufficient steps to conduct an Integrative Review. Method: To this end, an analysis of the items reported as necessary for constructing systematic reviews in the PRISMA protocol was carried out, as well as their adequacy to the Integrative Review method and steps presented in psychology studies. Results: It was concluded that two items were adequate, 16 items were partially adequate with modifications, nine items were not satisfactory, and one item was developed and added. At the end, a checklist with 15 items was constructed and presented with examples of the expected reports for each item developed. Conclusion: It was concluded that the Integrative Review method has its characteristics. This study will likely help reduce the disparity found in the field involving Integrative Reviews in Psychology and help promote the replication and extension of research.

Keywords: Integrative review; Review methods; Evidence synthesis; Evidence-based psychology; Methodological checklist.

Introdução

As revisões de literatura são reconhecidas como um dos métodos de pesquisa mais relevantes para identificar e analisar efeitos de intervenções psicológicas. Historicamente, essas revisões tiveram papel fundamental no direcionamento da psicologia. Um marco notável ocorreu em 1952, quando Hans Eysenck publicou uma análise crítica de dezenove artigos empíricos, concluindo que nenhuma intervenção psicológica era mais eficaz do que a mera passagem de tempo (Eysenck, 1952). Essa publicação gerou intenso debate na área e estimulou o desenvolvimento de pesquisas dedicadas a comprovar a eficácia das psicoterapias (Barlow et al., 2013; Leonardi, 2016).

Em 1990, com o movimento das Práticas Baseadas em Evidências em Psicologia, a American Psychological Association (APA) adotou a pirâmide de evidências da medicina como modelo para avaliar a qualidade das pesquisas no campo (APA, 2006). Nesse modelo, as revisões sistemáticas ocuparam o nível mais alto de evidência para tomada de decisões clínicas.

Embora as revisões de literatura representem o padrão-ouro na produção de evidências para decisões clínicas, existem diversos tipos de revisão com estratégias metodológicas distintas. Grant e Booth (2009) identificaram catorze tipos de revisão na área da saúde, destacando: (1) a variabilidade terminológica entre métodos, (2) a falta de padronização na condução de muitos tipos de revisão, e (3) a sobreposição metodológica entre diferentes tipos de revisão. Os autores defendem a necessidade de estabelecer "um conjunto discreto, coerente e mutuamente exclusivo de tipos de revisão", visando um consenso internacional sobre a matéria (Grant & Booth, 2009, p. 106).

Esse mesmo esforço de padronização foi realizado para revisões sistemáticas. Em 2009, pesquisadores de diversos países formaram um grupo de trabalho internacional diante da necessidade evidente de melhorar a qualidade e a uniformidade dessas revisões. O objetivo era estabelecer critérios mínimos para relatar revisões sistemáticas e reduzir a variabilidade metodológica nas publicações. Esse esforço resultou no desenvolvimento do Protocolo PRISMA — um checklist com 27 itens essenciais para condução de revisões sistemáticas. Atualmente, o PRISMA é considerado o padrão-ouro para relatos desse tipo de revisão (Moher et al., 2009).

Embora as revisões sistemáticas sejam valiosas para avaliar eficácia, segurança e custo-efetividade de intervenções (Tricco et al., 2016), elas apresentam limitações significativas. Entre essas limitações destacam-se: (1) dificuldade em analisar variações populacionais e entre intervenções, (2) dificuldades na explicação de mecanismos causais, (3) pouca consideração de fatores contextuais que influenciam os resultados, e (4) incapacidade de examinar interações complexas entre esses elementos (Anderson et al., 2013). Diante dessas restrições, revisões que integram métodos qualitativos e quantitativos emergem como alternativa promissora para avaliar e orientar decisões sobre intervenções complexas em saúde (Tricco et al., 2016).

Nesse sentido, a Revisão Integrativa destaca-se como um método abrangente que sintetiza literatura empírica e teórica para proporcionar uma compreensão ampla de fenômenos ou problemas em saúde (Whittemore & Knafl, 2005). Este método vai além da simples síntese, incorporando objetivos complementares como: (1) definição conceitual, (2) revisão teórica, (3) análise crítica de evidências e (4) abordagem de questões metodológicas (Whittemore & Knafl, 2005).

Este método, pela sua capacidade de integrar diferentes tipos de literatura, pode fornecer uma síntese mais compreensiva para investigar cenários e questões complexas (Whittemore & Knafl, 2005). No entanto, a falta de padronização metodológica na condução desse tipo de revisão aumenta significativamente os riscos de viés e erro (Whittemore & Knafl, 2005).

Um estudo recente de Lemos e Ferreira (2023) analisou a aplicação deste método em programas de pós-graduação em Psicologia, revelando um baixo consenso metodológico entre pesquisadores. Os autores identificaram cinco variações distintas em 45% dos trabalhos analisados (aqueles que faziam referência a estudos anteriores), enquanto 55% apresentavam descrições inconsistentes das etapas metodológicas sem referencial teórico adequado. Além disso, em 8% dos casos havia ausência completa da seção metodológica.

Os dados de Lemos e Ferreira (2023) corroboram a literatura existente sobre a variabilidade de estratégias e critérios na condução de revisões integrativas (Whittemore & Knafl, 2005). Embora esforços anteriores tenham buscado sistematizar procedimentos para esse tipo de revisão (e.g., Toronto, 2020; Whittemore & Knafl, 2005), nossa proposta avança ao desenvolver uma proposta operacional preciso que engloba todas as etapas necessárias e suficientes para a condução de uma Revisão Integrativa, respeitando suas características essenciais: (1) integração de abordagens metodológicas diversas nos estudos selecionados, (2) métodos sistemáticos para busca, coleta e análise de dados, e (3) perguntas de pesquisa que permitam conclusões abrangentes sobre aspectos teóricos e empíricos de um campo de conhecimento.

Para isso, adaptaremos o protocolo PRISMA — originalmente desenvolvido para revisões sistemáticas — como base metodológica. Essa escolha justifica-se pela precisão, clareza operacional e aceitação internacional do PRISMA. Nossa abordagem inclui: (1) manter itens do PRISMA que se adequam à condução de uma Revisão Integrativa, (2) modificar itens parcialmente aplicáveis, e (3) desenvolver novos componentes quando necessário, garantindo que as especificidades das revisões integrativas sejam atendidas.

Método

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa teórico-reflexiva, abordagem que permite analisar criticamente modelos de investigação científica, com ênfase na estrutura conceitual, fundamentação teórica e adequação metodológica (Ferreira et al., 2020). Neste sentido, o presente trabalho focou na avaliação sistemática da aplicabilidade do protocolo PRISMA para revisões integrativas em psicologia.

Avaliação Sistemática dos Itens do Protocolo PRISMA

Três juízes com experiência em metodologia e publicação prévia em revisões de literatura conduziram independentemente a avaliação dos 27 itens do PRISMA. A análise considerou dois eixos complementares: (a) a frequência e estabilidade dos itens em revisões integrativas publicadas (com base nos padrões identificados por Lemos & Ferreira, 2023) e (b) a compatibilidade metodológica com as características essenciais das revisões integrativas. Cada item foi classificado em três categorias: (1) adequação completa (itens frequentes e estáveis que se mostraram plenamente compatíveis), (2) adequação parcial (itens variáveis que atendiam apenas parcialmente aos requisitos), ou (3) inadequação (itens ausentes ou incompatíveis com os requisitos metodológicos deste tipo de revisão). Os critérios basearam-se na declaração PRISMA original (Liberati et al., 2009) e na análise sistemática de Lemos e Ferreira (2023) sobre a aplicação desses itens em revisões integrativas. Todas as discrepâncias foram resolvidas por consenso após discussão fundamentada nos padrões de frequência e adequação metodológica. (Liberati et al., 2009) e em análise metodológica recente sobre revisões integrativas (Lemos & Ferreira, 2023). Todas as discrepâncias entre os juízes foram resolvidas mediante discussão até obtenção de consenso.

Elaboração do Checklist Adaptado para Revisões Integrativas

Com base nos resultados consensuados da avaliação, foi elaborado um checklist específico para revisões integrativas contendo: (a) todos os itens considerados essenciais para este tipo de revisão; (b) a seção do manuscrito onde cada informação deve ser reportada; e (c) exemplos ilustrativos de como cada item pode ser descrito. O processo garantiu a incorporação tanto dos elementos metodológicos mais relevantes do PRISMA quanto das particularidades das revisões integrativas.

Diretrizes

Dos 27 itens do protocolo PRISMA, dois foram considerados plenamente adequados aos objetivos de uma Revisão Integrativa. Dezesseis itens apresentaram adequação parcial, exigindo adaptações em seus requisitos de relato, pois não são tipicamente reportados ou alinhados com os propósitos desse tipo de revisão. Como exemplo, o item "Provide an explicit statement of questions being addressed with reference to participants, interventions, comparisons, outcomes, and study design (PICOS)" requereu ajustes para abranger questões conceituais e teóricas, além de intervenções.

Nove itens foram classificados como inadequados, por não serem comumente reportados em revisões integrativas ou por não constarem na literatura teórica sobre o método. Um exemplo é o item "Indicate if a review protocol exists, if and where it can be accessed (e.g., Web address), and, if available, provide registration information including registration number", que se aplica mais a revisões sistemáticas registradas.

Além disso, identificou-se a necessidade de incluir um novo item não contemplado no PRISMA: "Descreve a definição utilizada de Revisão Integrativa e argumentos para adoção", considerado essencial para garantir transparência metodológica.

Com base nessa análise, desenvolvemos um checklist específico para Revisões Integrativas (Tabela 1), adaptando e complementando o PRISMA para atender às particularidades desse método. Os resultados indicam que uma proposta alternativa ao PRISMA é necessária, considerando a maior flexibilidade e abrangência requeridas nas revisões integrativas.

Tabela 1. Checklist de Itens Mínimos para Relato de Revisões Integrativas em Psicologia

Seção Item Requisito
Título1Identificar explicitamente no título que se trata de uma Revisão Integrativa
Resumo2Incluir o termo "Revisão Integrativa" na seção de métodos e descrever brevemente as etapas realizadas
Introdução3Apresentar a definição conceitual adotada de Revisão Integrativa e justificar sua escolha metodológica
Introdução4Contextualizar a revisão (primeira revisão sobre o tema ou extensão/replicação de revisão anterior)
Introdução5Descrever claramente os objetivos e unidades de análise da revisão
Método6Listar as etapas metodológicas (mínimo 5):
  • Formulação das questões norteadoras
  • Busca/amostragem da literatura
  • Coleta de dados
  • Análise crítica do conteúdo
  • Síntese dos resultados
Método7Descrever detalhadamente a execução de cada etapa metodológica
Método8Apresentar ou descrever o instrumento de extração de dados utilizado
Método9Descrever etapas adicionais (quando aplicável)
Resultados10Relatar números de estudos identificados, incluídos/excluídos (com fluxograma PRISMA preferencialmente)
Resultados11Apresentar os resultados organizados por unidades de análise
Discussão12Sintetizar os principais achados em relação às questões de pesquisa
Discussão13Discutir limitações do campo/conceito investigado (quando aplicável)
Conclusões14Apresentar interpretação geral dos resultados e resumo das conclusões relacionadas as perguntas de pesquisa
Conclusões15Descrever limitações metodológicas e implicações para pesquisas futuras

Diretrizes para Relato em Revisões Integrativas

Esta seção detalha cada item do checklist, destacando sua relevância para relatos de revisões integrativas e oferecendo exemplos ilustrativos da literatura psicológica. Os exemplos foram adaptados para concisão, preservando apenas elementos essenciais. A ordem de apresentação segue a Tabela 1, mas não implica exigência sequencial obrigatória.

Item 1. Identificação da Revisão Integrativa no Título

A identificação clara do método no título constitui um elemento fundamental para o relato de revisões integrativas em psicologia. Os autores devem incluir explicitamente a expressão "Revisão Integrativa" no título do trabalho, assegurando que o termo apareça de forma completa e sem variações terminológicas. Esta prática metodológica apresenta três vantagens principais: facilita a recuperação do estudo em bases de dados acadêmicas, permite a imediata identificação do tipo de revisão realizada e promove transparência científica desde o primeiro contato com a pesquisa.

Um exemplo adequado desta aplicação pode ser observado no título do estudo "A estrutura conceitual e epistemológica do comportamento antissocial: uma revisão integrativa" (Garcia, 2018, p. 1), onde a designação metodológica aparece de forma explícita e contextualizada.

Item 2. Descrição Metodológica no Resumo

A seção de resumo desempenha um papel crucial na comunicação científica, servindo como o primeiro contato dos leitores com o trabalho. Para revisões integrativas em psicologia, é essencial que o resumo inclua informações específicas sobre a metodologia empregada. Recomenda-se que os autores apresentem de forma explícita o uso do método de revisão integrativa na seção metodológica do resumo, juntamente com uma descrição clara das etapas principais do processo de revisão.

Esta abordagem metodológica no resumo atende a três objetivos fundamentais: (1) permite a imediata identificação do tipo de estudo realizado, (2) facilita a avaliação da adequação metodológica por parte dos leitores, e (3) melhora a recuperação do trabalho em buscas sistemáticas.

A literatura especializada sugere que resumos de revisões integrativas devem conter quatro elementos essenciais: (1) a declaração do método utilizado, (2) a formulação da questão de pesquisa, (3) a descrição sumária das etapas metodológicas e (4) uma síntese dos principais achados e conclusões.

O exemplo de Lemos e Ferreira (2023) ilustra adequadamente esta prática ao descrever:

"Para tanto, foi realizada uma Revisão Integrativa de literatura em trabalhos defendidos em PPGPsi que utilizaram tal método de revisão. O levantamento da literatura foi realizado na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia com os descritores 'Psicologia' e 'Revisão Integrativa'. Foi selecionada uma amostra de 51 teses e dissertações. Nos resultados foram identificadas 6 definições distintas de Revisões Integrativas em 45% dos trabalhos. Em 55% dos trabalhos não foram identificadas definições do método. Foram identificadas 5 variações de etapas categorizadas como referenciadas em 45% dos trabalhos e em 47% dos trabalhos foram descritas etapas não-referenciadas de construção, 8% dos trabalhos não apresentaram descrições do método. Foram identificados 9 argumentos favoráveis ao uso das Revisões Integrativas em Psicologia, sendo o mais utilizado 'Permite uma síntese do conhecimento' em 35% dos trabalhos. Há uma ampla apresentação de argumentos favoráveis ao uso de Revisões Integrativas, com baixa ponderação em relação as suas limitações. Conclui-se um baixo consenso acerca da definição e das etapas necessárias na execução do método e a necessidade de uma proposta de diretrizes mínimas para construção de revisões integrativas em psicologia" (p. 1).

É importante destacar que a descrição metodológica no resumo deve ser concisa, mas suficientemente detalhada para permitir a compreensão do processo de revisão. Os autores devem buscar um equilíbrio entre a completude das informações e a brevidade exigida pela seção de resumo, garantindo que todos os elementos essenciais estejam presentes sem comprometer a clareza ou a objetividade da apresentação.

Item 3. Definição e Justificativa da Revisão Integrativa

A apresentação clara da definição de Revisão Integrativa adotada no estudo representa um elemento fundamental para a transparência metodológica. Considerando a variabilidade conceitual observada na literatura psicológica — onde a nomenclatura Revisão Integrativa é frequentemente utilizada com diferentes acepções metodológicas (Lemos & Ferreira, 2023) — torna-se imperativo que os autores: (a) explicitem sua compreensão do método, (b) delimitem seu escopo de aplicação, e (c) justifiquem sua adequação à questão de pesquisa investigada.

Esta abordagem cumpre três funções essenciais: primeiro, estabelece parâmetros consistentes para avaliação do rigor metodológico; segundo, permite a identificação de possíveis limitações inerentes à abordagem escolhida; e terceiro, cria bases sólidas para futuras extensões ou replicações do estudo. O exemplo de Santos (2018) ilustra adequadamente esta prática ao declarar:

“O método escolhido para o levantamento e análise de dados, foi a revisão integrativa da literatura. Essa revisão é a mais ampla abordagem metodológica referente às revisões quando comparada aos outros métodos, que são mais frequentemente utilizados na PBEP para áreas da saúde, tais como metanálise e revisão sistemática (Souza et al., 2010). Ela é considerada mais ampla por combinar dados da literatura teórica e empírica, além de incorporar um vasto leque de propósitos, como revisão de teorias e evidências, análise de problemas metodológicos de um tópico particular e definição de conceitos. A principal finalidade deste método é, de maneira sistemática e ordenada, reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre um delimitado tema ou questão, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento do tema investigado” (p. 32).

Item 4. Contextualização da Revisão

O posicionamento da revisão no contexto do desenvolvimento do campo de estudo constitui outro elemento crítico para a qualidade do relato. Os autores devem indicar explicitamente se a pesquisa representa: (1) a primeira revisão integrativa sobre o tema, (2) uma extensão de revisão anterior (com ampliação de escopo temporal, conceitual ou metodológico), ou (3) uma replicação com possíveis refinamentos.

Esta contextualização serve para: (a) situar o trabalho na trajetória de acumulação de conhecimento na área, (b) destacar suas contribuições específicas, e (c) facilitar a avaliação de seu impacto potencial. O exemplo seguinte demonstra esta abordagem:

“Como um primeiro passo para contribuir com a precisão da definição da TAC, no presente estudo foram analisadas as definições de TAC realizadas pelos autores de textos empíricos por meio dos seguintes passos: (1) atualização da revisão integrativa da literatura de pesquisas empíricas em TAC realizada por Leonardi (2016)” (Santos, 2018, p. 32).

Item 5. Formulação dos Objetivos e Unidades de Análise

A especificação clara dos objetivos constitui um elemento fundamental para a condução adequada de revisões integrativas em psicologia. Recomenda-se que os autores apresentem de forma explícita e detalhada: (a) os propósitos centrais da revisão, (b) as unidades específicas de análise investigadas, e (c) a justificativa para seleção desses focos analíticos. Esta abordagem cumpre três funções essenciais: primeiro, estabelece critérios transparentes para avaliação da adequação metodológica; segundo, facilita a transformação dos objetivos em questões norteadoras operacionais; e terceiro, permite a replicação futura do estudo.

O exemplo de Lemos e Ferreira (2023) ilustra esta prática ao escrever:

“Neste sentido, considerando a necessidade de se avaliar a adequabilidade da Revisão Integrativa ao campo da psicologia, os objetivos do presente trabalho são (1) descrever como os estudos defendidos em programas de pós-graduação em psicologia que utilizaram revisões integrativas definiram este método (2) descrever os argumentos apresentados para a adoção do método de Revisão Integrativa nas pesquisas que subsidiaram estes estudos, bem como (3) as etapas adotadas nos estudos para a execução da Revisão Integrativa nas teses e dissertações” (p. 7).

Item 6. Descrição das Etapas Metodológicas

A apresentação sistemática das etapas metodológicas representa um requisito mínimo para garantia do rigor em revisões integrativas. Os autores devem detalhar todas as fases do processo, as quais necessariamente devem incluir: (1) elaboração das perguntas norteadoras, (2) busca/amostragem da literatura, (3) coleta de dados, (4) análise crítica do conteúdo incluído, e (5) discussão dos resultados. Esta estrutura básica, derivada de consensos na literatura especializada (Lemos & Ferreira, 2023), assegura a comparabilidade entre estudos e a possibilidade de avaliação crítica do processo.

Como exemplificado por Santos (2018):

“O processo de elaboração da revisão integrativa é constituído de cinco passos, a saber. (1) formulação do problema de pesquisa; (2) busca na literatura; (3) extração de dados; (4) análise dos dados; e (5) interpretação dos resultados” (p. 33).

Item 7. Descrição Detalhada das Etapas Metodológicas

A descrição minuciosa de cada etapa metodológica constitui requisito fundamental para garantir a transparência e reprodutibilidade em revisões integrativas em psicologia. Na seção de métodos, os autores devem apresentar informações específicas sobre a operacionalização de cada fase do processo, incluindo, no mínimo, as cinco etapas básicas previamente estabelecidas. Esta descrição deve abranger: os procedimentos seguidos, os critérios de decisão adotados, os instrumentos utilizados e eventuais adaptações metodológicas realizadas durante o processo. É essencial incluir detalhes operacionais como: (a) o processo de treinamento e calibração entre avaliadores, com relato de índices de concordância interavaliadores quando aplicável; (b) a realização de estudos piloto para testar instrumentos e procedimentos; (c) as estratégias adotadas para garantir confiabilidade na seleção e análise dos estudos; e (d) o método de construção e validação das categorias analíticas utilizadas. Estes elementos permitem avaliar o rigor metodológico e a consistência interna do estudo. O exemplo de Lemos e Ferreira (2023) ilustra esta prática ao reportar:

“Etapa 1 - Elaboração da pergunta norteadora: O presente trabalho analisou o método de Revisão Integrativa em teses e dissertações dos programas de pós-graduação em psicologia brasileiros. As perguntas elaboradas foram: 1) Quais definições e termos relacionados a Revisão Integrativa estão sendo utilizados em teses e dissertações dos programas de pós-graduação em psicologia? (2) Os pesquisadores apresentam argumentos relacionados a escolha do método de revisão adotado em relação as demais modalidades possíveis? Se sim, quais argumentos são apresentados? (3) Há uma definição clara nos trabalhos sobre como devem ser conduzidas as revisões integrativas ou como foram conduzidas?” (p. 8)

Item 8. Apresentação do Instrumento de Extração de Dados

A documentação do instrumento utilizado para extração e armazenamento dos dados textuais representa elemento crucial para avaliação do rigor metodológico em revisões integrativas. Os autores devem fornecer: (1) uma descrição textual detalhada do instrumento, incluindo suas categorias e critérios de codificação; (2) informações sobre seu desenvolvimento e validação; e (3) preferencialmente, sua representação em formato de tabela ou figura no manuscrito.

Esta prática atende a múltiplos propósitos: (a) permite a verificação independente dos procedimentos por pares; (b) facilita a replicação do estudo em novas pesquisas; (c) possibilita comparações sistemáticas com outros trabalhos similares; e (d) contribui para o acúmulo de conhecimento metodológico na área.

Conforme destacado por Laurenti et al. (2016), a transparência na apresentação dos instrumentos de coleta é fundamental para superar concepções equivocadas sobre o caráter não-sistemático de revisões teóricas. O exemplo de instrumento de coleta de dados por Lemos e Ferreira (2023, p. 11) ilustra adequadamente esta recomendação:

Título do trabalho/autor
Objetivo de Pesquisa
Definição de Revisão Integrativa
Argumentos
Etapas da Revisão Integrativa
Tabelas de coleta e análise
Exposição dos resultados
Referências para definição de Revisão Integrativa
Observações

Item 9. Descrição de Etapas Adicionais

Embora o checklist estabeleça os elementos mínimos para relato de revisões integrativas, os autores podem — e devem — incluir etapas metodológicas adicionais quando necessário para atender aos objetivos específicos do estudo. Estas complementações devem ser: (a) claramente identificadas como extensões ao protocolo básico; (b) adequadamente justificadas em relação à questão de pesquisa; e (c) descritas com o mesmo nível de detalhe das etapas principais.

Algumas revisões integrativas podem incorporar elementos típicos de revisões sistemáticas ou meta-análises, como análises estatísticas avançadas, métodos complementares de avaliação de qualidade dos estudos, ou estratégias inovadoras de síntese qualitativa. Contudo, é fundamental ressaltar que tais complementos não substituem nem invalidam os requisitos mínimos estabelecidos para revisões integrativas, especialmente quando aplicadas a investigações de natureza conceitual ou teórica no campo da psicologia.

A descrição destas etapas adicionais deve seguir a mesma estrutura detalhada exigida para as etapas básicas, incluindo sempre: objetivos específicos, procedimentos operacionais, instrumentos utilizados, e critérios de decisão adotados. Esta abordagem garante a necessária transparência metodológica sem comprometer a flexibilidade que caracteriza as revisões integrativas.

Item 10. Descrever o Número de Estudos Identificados, Incluídos e Excluídos, Apresentando Justificativas para Exclusão e Fluxograma de Seleção

A descrição transparente do processo de seleção dos estudos constitui elemento fundamental para avaliar o rigor metodológico de revisões integrativas em psicologia. Os autores devem apresentar de forma detalhada: (a) o número total de estudos identificados nas buscas iniciais, (b) a quantidade de estudos avaliados em fase de triagem, (c) o número de trabalhos incluídos na análise final, e (d) a contagem de estudos excluídos em cada fase, acompanhada das respectivas justificativas para exclusão.

Esta abordagem permite aos leitores compreender o fluxo decisório adotado e avaliar possíveis vieses de seleção. Conforme destacado por Lemos e Ferreira (2023), a inclusão preferencial de um fluxograma de seleção — seguindo o modelo PRISMA — representa a forma mais eficaz de comunicar visualmente este processo, facilitando a compreensão imediata das etapas de filtragem e dos critérios de exclusão aplicados. O fluxograma deve ser complementado por uma descrição textual completa que especifique: os motivos para exclusão de estudos em cada fase, os conflitos de avaliação entre revisores (quando ocorrerem) e como foram resolvidos, e eventuais ajustes nos critérios de inclusão/exclusão realizados durante o processo. O fluxograma na Figura 1 exemplifica esse processo.

Figura 1. Exemplo de Fluxograma de Processo de Seleção de Estudos

Fluxograma de processo de seleção de estudos em revisão integrativa

Nota. De “Prática baseada em evidências em psicologia e a eficácia da análise do comportamento clínica” por J. L. Leonardi, 2016, Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, São Paulo, p. 87. (http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-27092016-154635).

Item 11. Apresentação dos Resultados por Unidades de Análise

A descrição dos resultados deve organizar-se sistematicamente conforme as unidades de análise previamente definidas nos objetivos do estudo. Os autores devem apresentar os resultados de forma narrativa, em texto corrido, garantindo clareza e progressão lógica na exposição dos dados. Esta apresentação textual deve ser complementada, quando necessário, por tabelas ou figuras que sintetizem informações complexas ou extensas.

É essencial que cada tabela ou figura incluída seja adequadamente explicada no corpo do texto, destacando: (a) as principais tendências ou padrões identificados, (b) as relações entre variáveis ou categorias analíticas, e (c) os achados mais relevantes para responder às questões de pesquisa. Esta dupla abordagem — textual e visual — permite ao leitor tanto uma compreensão detalhada dos achados quanto uma visão sintética das relações entre os diversos elementos analisados.

Item 12. Síntese dos Resultados em Relação às Questões de Pesquisa

Ao concluir a apresentação dos dados, os autores devem prover uma síntese clara que articule os principais achados com as questões de pesquisa originais. Esta síntese deve: (a) responder diretamente a cada questão norteadora formulada no estudo, (b) avaliar a qualidade e consistência das evidências encontradas, e (c) discutir a relevância dos resultados para grupos ou contextos específicos na psicologia.

Esta etapa cumpre três funções essenciais: primeiro, facilita a interpretação integrada dos diversos resultados apresentados; segundo, permite identificar lacunas ou inconsistências nas evidências disponíveis; e terceiro, estabelece bases para futuras pesquisas quando o método adotado se mostrar insuficiente para responder completamente às questões propostas. A síntese deve manter rigor científico ao avaliar a qualidade das informações, distinguindo claramente entre conclusões solidamente apoiadas pelos dados e interpretações mais especulativas ou necessitadas de confirmação empírica adicional.

Item 13. Descrição do Status do Campo ou Conceito

A discussão sobre o estágio de desenvolvimento do campo ou conceito investigado representa um componente valioso nas revisões integrativas em psicologia, especialmente quando estas não se limitam a relatar níveis de evidência empírica, como tradicionalmente ocorre nas Práticas Baseadas em Evidências. Embora a classificação de evidências (baixa, moderada, forte) seja comum em revisões sistemáticas — e possa ser útil em revisões integrativas —, sua obrigatoriedade depende da natureza da pergunta de pesquisa e do escopo da investigação. Como destacam Matos e da Silva Ferreira (2016), a utilização de revisões integrativas não implica, necessariamente, adesão aos modelos hierárquicos de evidência da APA, nem à pirâmide de evidências tradicional da Medicina. A origem metodológica do procedimento não define, por si só, os contornos do seu uso atual, que se expandiu para além dos limites conceituais das Práticas Baseadas em Evidência.

Nesse sentido, em revisões que investigam construtos teóricos ou conceitos em psicologia, é recomendável que os autores apresentem não apenas os achados empíricos, mas também: (a) o grau de maturidade teórica do constructo, (b) o nível de consenso existente na literatura quanto à sua definição e operacionalização, e (c) as principais lacunas conceituais ou metodológicas identificadas ao longo da análise. Essa abordagem permite uma apreciação mais crítica e abrangente do campo investigado, contribuindo para o seu desenvolvimento.

Esta abordagem é ilustrada no exemplo de Santos (2018) :

“Em geral as descrições apresentadas nas introduções foram consideradas pouco precisas por serem primordialmente descritas por procedimentos classificados como ‘respostas inespecíficas do terapeuta’. Esse resultado pode ter implicações desfavoráveis para ensino, pesquisa e para a prática clínica” (p. 80).

Item 14. Apresentar Interpretação Geral dos Resultados e Resumo das Conclusões Relacionadas as Perguntas de Pesquisa

A seção de resultados deve incluir uma síntese interpretativa que articule os principais achados com a pergunta de pesquisa original. Esta síntese deve apresentar: (a) as conclusões mais robustas apoiadas pelos dados, (b) as relações identificadas entre diferentes variáveis ou conceitos analisados, e (c) as contribuições específicas do estudo para o avanço do conhecimento na área. Esta organização permite ao leitor compreender não apenas os resultados isolados, mas seu significado integrado no contexto das perguntas que motivaram a revisão.

Recomenda-se que esta síntese mantenha rigorosa correspondência com os objetivos inicialmente propostos, evitando extrapolações não suportadas pelos dados analisados. A apresentação deve ser suficientemente detalhada para demonstrar a relação entre evidências e conclusões, mas concisa o bastante para destacar as contribuições mais relevantes do trabalho.

Item 15. Descrição das Limitações e Direções Futuras

O relato transparente das limitações metodológicas constitui elemento essencial para a credibilidade científica da revisão integrativa. Os autores devem discutir criticamente: (a) as restrições inerentes aos critérios de seleção adotados, (b) as limitações dos bancos de dados consultados, (c) os desafios encontrados no processo de análise e síntese dos dados, e (d) quaisquer outros fatores que possam ter influenciado os resultados.

Como exemplificado por Santos (2018), esta discussão deve ser acompanhada de recomendações concretas para pesquisas futuras:

“A partir dos dados encontrados sugere-se para futuras descrições de TAC em introduções de textos empíricos que irão descrevê-la: (a) ao apresentar a terapia deixar claro quais são os pressupostos filosóficos e teóricos que embasam a TAC fazendo uma relação direta entre estes e as implicações para a compreensão e análise do caso e a prática do terapeuta (b) procurar descrever a terapia em termos dos processos comportamentais envolvidos o máximo possível [...] Salienta-se que foram lidas somente as introduções de textos empíricos com descrições de intervenções com resultado. Trabalhos futuros poderiam realizar essa mesma análise contextos teóricos e/ou incluir as pesquisas de processos” (p. 80).

Esta abordagem cumpre dupla função: demonstra consciência crítica sobre o alcance do estudo e contribui para o avanço metodológico do campo, apontando caminhos para superar as limitações identificadas em investigações futuras.

Discussão

Este estudo propôs uma sistematização operacional das etapas necessárias e suficientes para condução de revisões integrativas em psicologia, adaptando o protocolo PRISMA às particularidades deste método. Os resultados demonstram que a padronização do relato pode contribuir significativamente para aumentar a replicabilidade e comparabilidade das revisões integrativas, especialmente considerando a escassez de estudos de replicação na área — apenas um entre 51 trabalhos analisados por Lemos e Ferreira (2023) se configurou como replicação e extensão de uma revisão integrativa anterior. Esta lacuna parece decorrer de três fatores inter-relacionados: (1) dificuldades na compreensão dos procedimentos metodológicos adotados em estudos primários, (2) desafios na identificação de revisões integrativas nos bancos de dados, e (3) a relativa recenticidade da adoção deste método na psicologia, com produção concentrada a partir de 2012 em trabalhos de dissertações e teses brasileiras em psicologia.

A proposta aqui apresentada diferencia-se das diretrizes existentes (Broome, 2000; Mendes et al., 2008; Pompeo et al., 2009; Souza et al., 2010; Whittermore & Knafl, 2005) por oferecer um checklist detalhado que especifica não apenas as etapas metodológicas, mas também sua localização adequada no manuscrito. Enquanto as propostas anteriores concordam sobre elementos básicos como formulação de perguntas de pesquisa e síntese de resultados, apresentam variações significativas em outras componentes metodológicas. Por exemplo, enquanto alguns autores enfatizam estratégias de busca (Broome, 2000; Pompeo et al., 2009; Souza et al., 2010; Whittemore & Knafl, 2005), outros destacam critérios de inclusão/exclusão (Mendes et al., 2008) ou instrumentos de coleta de dados (Souza et al., 2010). Estas inconsistências metodológicas provavelmente contribuem para a heterogeneidade observada nas revisões integrativas publicadas.

Limitações e Direções Futuras

O presente estudo, ao apresentar uma proposta para revisões integrativas em psicologia, contém algumas limitações que devem ser consideradas. Em primeiro lugar, o processo de adaptação do PRISMA foi realizado por apenas três juízes, o que pode limitar a abrangência das perspectivas metodológicas consideradas na avaliação dos itens. Embora os avaliadores possuam experiência na área, uma maior diversidade de especialistas poderia enriquecer a análise crítica dos critérios.

Outra limitação significativa reside na natureza teórico-reflexiva do estudo, que não incluiu a aplicação empírica do checklist proposto numa revisão integrativa concreta. Esta ausência de testagem prática impede uma avaliação mais robusta da utilidade e viabilidade dos critérios estabelecidos em contextos reais de pesquisa. Adicionalmente, o estudo não investigou sistematicamente possíveis variações necessárias para diferentes subáreas da psicologia, que podem demandar adaptações específicas do protocolo.

No que concerne à análise crítica dos estudos — componente fundamental das revisões integrativas — o presente trabalho identifica sua importância nos Itens 11 a 14, mas não avança na operacionalização de parâmetros concretos para sua execução. Esta lacuna reflete uma limitação mais ampla do campo, onde faltam diretrizes consensuais sobre como conduzir e reportar adequadamente este processo avaliativo.

Com base nestas limitações, sugerem-se três direções principais para pesquisas futuras: (1) realização de estudos de validação que testem a aplicabilidade do checklist em revisões integrativas empíricas, avaliando sua utilidade prática e possíveis ajustes necessários; (2) ampliação do painel de especialistas envolvidos no refinamento dos itens, incluindo pesquisadores de diferentes subáreas da psicologia e metodologistas com experiência em diversos tipos de revisão; e (3) desenvolvimento de protocolos específicos para a etapa de análise crítica dos estudos, estabelecendo parâmetros objetivos de qualidade e critérios transparentes de avaliação.

Outra direção promissora seria a investigação de possíveis adaptações do checklist para diferentes finalidades de revisões integrativas (teóricas, metodológicas ou empíricas) e para diversos campos da psicologia, considerando suas particularidades epistemológicas e metodológicas. A implementação destas recomendações poderá contribuir significativamente para o avanço metodológico das revisões integrativas, fortalecendo seu rigor científico e potencial de síntese do conhecimento na área psicológica.

Conclusão

O método de Revisão de Integrativa apresenta características próprias e a construção de diretrizes mais precisas irá auxiliar o campo a diminuir disparidades encontradas em estudos anteriores e promover avanços conceituais e metodológicos (Lemos & Ferreira, 2023). A proposta apresentada, baseada na adaptação do PRISMA, oferece diretrizes para condução e relato deste tipo de revisão, contribuindo para reduzir as inconsistências metodológicas identificadas na literatura (Lemos & Ferreira, 2023; Whittemore & Knafl, 2005). Embora necessite de validação empírica, o checklist desenvolvido representa um avanço na padronização dessas revisões, potencializando sua capacidade de síntese do conhecimento e identificação de lacunas de pesquisa. Os resultados destacam a importância de futuros estudos testarem a aplicabilidade destas diretrizes em diferentes áreas da psicologia, particularmente em práticas emergentes. Espera-se que esta sistematização incentive a replicação de estudos e o acúmulo progressivo de evidências, fortalecendo o papel das revisões integrativas no desenvolvimento teórico e metodológico da psicologia.

Agradecimentos e Autoria

Agradecimentos: Os autores não indicaram quaisquer agradecimentos.

Conflito de interesses: Os autores não indicaram quaisquer conflitos de interesse.

Fontes de financiamento: Este estudo não recebeu qualquer financiamento específico.

Declaração de contributos de autoria CRediT: LHAL: Conceptualização: Investigação; Redação – Revisão & Edição. BCS: Redação – Revisão & Edição. NJBN: Visualização. TASF: Supervisão.

Referências

Anderson, L. M., Oliver, S. R., Michie, S., Rehfuess, E., Noyes, J., & Shemilt, I. (2013). Investigating complexity in systematic reviews of interventions by using a spectrum of methods. Journal of Clinical Epidemiology, 66(11), 1223–1229. https://doi.org/ggb9b8

American Psychological Association. (2006). Evidence-based practice in psychology: APA presidential task force on evidence-based practice. American Psychologist, 61(4), 271–285. https://bit.ly/4jvdC1U

Barlow, D. H., Boswell, J. F., & Thompson-Hollands, J. (2013). Eysenck, Strupp, and 50 years of psychotherapy research: A personal perspective. Psychotherapy, 50(1), 77–87. https://doi.org/njfz

Broome, M. E. (2000). Integrative literature reviews for the development of concepts. In Concept development in nursing: foundations, techniques and applications (pp. 231–250). WB Saunders Company.

Eysenck, H. J. (1952). The effects of psychotherapy: An evaluation. Journal of Consulting Psychology, 16(5), 319–324. https://doi.org/d45hnn

Ferreira, T. A. D. S., Simões, A. S., Santos, F. M., Matos, J. P., & Moura, M. C. (2020). Methods of conceptual research in clinical behavior analysis. The Psychological Record, 1–8. https://doi.org/njf3

Garcia, B. N. (2018). A estrutura conceitual e epistemológica do comportamento antissocial: Uma revisão integrativa [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Ceará]. Repositório Institutional. https://bit.ly/3ECnV62

Grant, M. J., & Booth, A. (2009). A typology of reviews: An analysis of 14 review types and associated methodologies. Health information and libraries journal, 26(2), 91–108. https://doi.org/ftbpbr

Laurenti, C., Lopes, C. E., & Freitas, S. A. (2016). Pesquisa teórica em psicologia: Aspectos filosóficos e metodológicos. Hogrefe CETEPP.

Lemos, L. H. A. & Ferreira, T. A. S. (2023). Revisões integrativas em psicologia: Modelos, definições e características. Mudanças - Psicologia da Saúde, 31, 77–86. https://bit.ly/3Z838ON

Leonardi, J. L. (2016). Práticas baseadas em evidências em psicologia e a eficácia da análise do comportamento clínica [Tese de Doutoramento, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo]. Repositório da Produção USP. https://bit.ly/42XPmQX

Liberati, A., Altman, D. G., Tetzlaff, J., Mulrow, C., Gøtzsche, P. C., Ioannidis, J. P., Clarke, M., Devereaux, P. J., Kleijnen, J., & Moher, D. (2009). The PRISMA statement for reporting systematic reviews and meta-analyses of studies that evaluate healthcare interventions: explanation and elaboration. The BMJ, 339, b2700. https://doi.org/dh2cj4

Matos, J. P. A., & da Silva Ferreira, T. A. (2016). A cultura do diagnóstico e a emergência de subjetividades psicopatológicas. Acta Comportamentalia: Revista Latina de Análisis de Comportamiento, 24(4), 509–523. https://doi.org/pjcm

Mendes, K. D. S., Silveira, R. C. D. C. P., & Galvão, C. M. (2008). Revisão integrativa: Método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto Enfermagem, 17(4), 758–764. https://doi.org/b8m83p

Moher, D., Liberati, A., Tetzlaff, J., Altman, D. G., & PRISMA Group. (2009). Preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses: the PRISMA statement. Annals of Internal Medicine, 151(4), 264–269. https://doi.org/bq3jpc

Pompeo, D. A., Rossi, L. A., & Galvão, C. M. (2009). Revisão integrativa: Etapa inicial do processo de validação de diagnóstico de enfermagem. Acta Paulista de Enfermagem, 22(4), 434–438. https://doi.org/bp76kk

Santos, G. A. R. D. (2018). Terapia analítico-comportamental: sistematização da definição com base em introduções de textos empíricos [Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo]. Repositório da Produção USP. https://bit.ly/4jF3d4e

Souza, M. T. D., Silva, M. D. D., & Carvalho, R. D. (2010). Revisão integrativa: O que é e como fazer. Einstein (São Paulo), 8(1), 102–106. https://doi.org/ggmw5m

Toronto, C. E., & Remington, R. (Eds.). (2020). A step-by-step guide to conducting an integrative review. Springer Nature. https://doi.org/g438zv

Tricco, A. C., Antony, J., Soobiah, C., Kastner, M., MacDonald, H., Cogo, E., Lillie, E., Tran, J., & Straus, S. E. (2016). Knowledge synthesis methods for integrating qualitative and quantitative data: A scoping review reveals poor operationalization of the methodological steps. Journal of Clinical Epidemiology, 73, 29–35. https://doi.org/gn2v7f

Whittemore, R., & Knafl, K. (2005). The integrative review: Updated methodology. Journal of Advanced Nursing, 52(5), 546–553. https://doi.org/dhbpb8