Articulação do serviço social hospitalar com a rede de apoio informal em cuidados continuados

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31211/rpics.2020.6.2.189

Palavras-chave:

Cuidados Continuados, Serviço Social, saúde, envelhecimento, apoio social informal

Resumo

Objetivo: O estudo teve como objetivo analisar a articulação entre a saúde e o apoio social informal no âmbito da continuidade de cuidados. Participantes: Participaram 57 doentes referenciados em 2019 por um hospital para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados em Portugal. A amostra era maioritariamente do sexo feminino (63,2%; = 36), com uma média de idades de 80 anos (DP = 9,2), predominantemente de residência rural (64,9%; = 37), casada (56,1%; = 32), em que 35,0% vivia só ( = 20). Método: Estudo descritivo com análise quantitativa univariada e análise categorial do conteúdo dos registos no processo social. Resultados: Dos 57 doentes referenciados para a Rede, registaram-se óbitos e cancelamentos em 32 casos (56,1%). Dos 25 doentes que tiveram alta da Rede, no pós-alta todos necessitavam de apoio informal e/ou formal, enquanto que à data de referenciação hospitalar apenas 20,0% da amostra necessitava de apoio (< 0,001). Dos que tinham apoio, cerca de um terço tinha apoio da rede social primária, maioritariamente dos filhos e cerca de metade dos doentes tinha filhos emigrantes. No pós-alta 64% (= 16 dos 25) tinham apoio informal. Verificámos ainda que 8,8% dos doentes eram cuidadores e passaram a necessitar de cuidados. Conclusão: O estudo confirma a importância de assegurar cuidados continuados aos cidadãos que viram a sua vulnerabilidade aumentada por doença com sequelas, assim como a fulcral articulação com o sistema de apoio informal aos doentes.

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Publicado

2020-11-29

Como Citar

Macedo, P., & Guadalupe, S. (2020). Articulação do serviço social hospitalar com a rede de apoio informal em cuidados continuados. Revista Portuguesa De Investigação Comportamental E Social, 6(2), 69–81. https://doi.org/10.31211/rpics.2020.6.2.189

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