Desenvolvimento de uma versão exploratória do Questionário de Atitudes em Relação à População em Situação de Sem-Abrigo: Estudo da estrutura fatorial e características psicométricas

Autores

  • Andreia Cardoso Instituto Superior Miguel Torga, Portugal https://orcid.org/0000-0002-7285-5943
  • Ana Galhardo Instituto Superior Miguel Torga; Universidade de Coimbra, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação; Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitiva e Comportamental (CINEICC), Portugal https://orcid.org/0000-0002-3484-6683
  • Ilda Massano-Cardoso Instituto Superior Miguel Torga; Universidade de Coimbra, Faculdade de Medicina; Fac de Economia, Centro de Estudos e Investigação em Saúde (CEISUC), Portugal https://orcid.org/0000-0003-2510-2348
  • Marina Cunha Instituto Superior Miguel Torga; Universidade de Coimbra, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação; Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitiva e Comportamental (CINEICC), Portugal https://orcid.org/0000-0002-5957-1903

DOI:

https://doi.org/10.31211/rpics.2021.7.1.209

Palavras-chave:

Questionário de Atitudes em Relação à População em Situação de Sem-Abrigo, Atitudes, Sem-abrigo , Estrutura fatorial , Características psicométricas

Resumo

Objetivo: Face à escassez de medidas breves que contemplem as três componentes atitudinais (cognitiva, comportamental e emocional) em relação à população em situação de sem-abrigo, o presente estudo teve como objetivo nuclear o desenvolvimento e estudo da versão exploratória de um questionário de atitudes relativamente a esta população. Métodos: A amostra foi constituída por 361 participantes da população geral. Os participantes responderam online a um conjunto de instrumentos de autorresposta, incluindo o Questionário de Atitudes em Relação à População em Situação de Sem-Abrigo (QARPSSA). Resultados: Após a análise fatorial exploratória do QARPSSA, foram excluídos 15 itens, o que resultou numa versão final de 17 itens. O modelo de análise fatorial confirmatória demonstrou uma boa qualidade de ajustamento: CFI = 0,90; GFI = 0,92; RMSEA = 0,07 e MECVI = 1,02. Apenas o índice de ajustamento do qui-quadrado normalizado apresentou um valor sofrível (X2 /gl = 2,51). A variância extraída média foi de 0,49, valor superior ao quadrado das correlações dos fatores que variou entre 0,002 e 0,25, sendo sugestivo de validade discriminante. A análise da fidedignidade, através do cálculo do alfa de Cronbach, revelou um valor de 0,77 e através do cálculo da fiabilidade compósita de 0,91. Conclusões: Esta versão exploratória do QARPSSA revelou ser válida e fidedigna para a avaliação das atitudes em relação à população em situação de sem-abrigo, podendo ser usada em vários contextos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Agans, R. P., & Liu, G. (2015). Public attitudes toward the homeless. Global Journal of Science Frontier Research, 15(3), 1–8. https://bit.ly/3eOJuR6

Aldeia, J. (2014). Para além do pecado e da doença. Desconstruindo discursos sobre o fenómeno dos sem-abrigo. Revista Portuguesa da Associação Portuguesa de Sociologia 8, 5–26. https://bit.ly/3omdarL

Almiro, P. A., Almeida, D., Ferraz, A. M., Ferreira, R., Perdiz, C., Dias, I. S., Gonçalves, S., Sousa, L. B., & Simões, M. R. (2017). Escala de Desejabilidade Social de 20 itens (EDS-20). Em M. R. Simões, L. S. Almeida, & M. M. Gonçalves (Eds.), Psicologia forense: Instrumentos de avaliação (pp. 335–352). Pactor-Lidel.

Bizarrias, F. S., & Brandão, M. M. (2017). Proposta de modelo conceitual de atitudes implícitas e explícitas no Varejo. Revista Brasileira de Marketing, 16(4), 454–468. https://bit.ly/3uMzPA2

Bogardus, E. S. (1933). A social distance scale. Sociology and Social Research, 17, 265–271. https://bit.ly/33LPmUX

Brown, T. A. (2003). Confirmatory factor analysis of the Penn State Worry Questionnaire: Multiple factors or method effects. Behavior Research and Therapy, 41, 1411–1426. https://doi.org/bvqbvk

Cohen, J., Cohen, P., West, S. G., & Aiken, L. S. (2003). Applied multiple regression/correlation analysis for the behavioral sciences (3a ed.). Lawrence Erlbaum Associates.

Copeland, D. J., Johnson, P., & Moore, B. (2020). Effects of a service‐learning experience on health‐related students' attitudes toward the homeless. Nursing Forum, 56(1), 45‐51. https://doi.org/gcmv

Cruz, M. (2018). Opinião pública sobre as pessoas sem-abrigo em Portugal. [Dissertação de mestrado, Universidade do Minho]. RepositóriUM. https://bit.ly/3fpIeDf

DeVellis, R. F. (2011). Scale development: Theory and applications (3ª ed.). SAGE Publications, Inc.

Eagly, A. H., & Chaiken, S. (1993). The psychology of attitudes. Harcourt Brace Jovanovich College Publishers. https://bit.ly/3fmPxeB

Fiske, S. T. (2018). Social beings: Core motives in social psychology (4a ed., pp. 184–224). John Wiley & Sons, Inc.

Fonseca, A., Silva, S., & Canavarro, M. C. (2017). Características psicométricas do Inventário de Atitudes face à Procura de Serviços de Saúde Mental: Estudo em mulheres no período perinatal. Psychologica, 60(2), 65–81. https://doi.org/gcmw

Fornell, C., & Larcker, D. (1981). Evaluating structural equation models with unobservable variables and measurement error. Journal of Marketing Research, 18(1), 39–50. https://doi.org/cwp

Gouveia, V. V., Guerra, V. M., Souza, D. M. F., Santos, W. S., & Costa, J. M. (2009). Escala de Desejabilidade Social de Marlowe-Crowne: Evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Avaliação Psicológica, 8, 87–98. https://bit.ly/2QjO6VQ

Gouveia, V. V., Mendes, L. A., Freire, S. E., Freires, L. A., & Barbosa, L. H. (2014). Medindo associação implícita com o freeIAT em português: Um exemplo com atitudes implícitas frente ao poliamor. Psicologia Reflexão e Critica, 27(4), 679–688. https://doi.org/gcmx

Greenwald, A. G., & Banaji, M. R. (1995). Implicit social cognition: Attitudes, self-esteem, and stereotypes. Psychological Review, 102(1), 4–27. https://doi.org/gmt

Greenwald, A. G., McGhee, D. E., & Schwartz, J. L. K. (1998). Measuring individual differences in implicit cognition: the implicit association test. Journal of Personality and Social Psychology, 74(6), 1464–1480. https://doi.org/c2cjtx

Greenwald, A. G., Banaji, M. R., Rudman, L. A., Farnham, S. D., Nosek, B. A., & Mellot, D. S. (2002). A unified theory of implicit attitudes, stereotypes, self-esteem, and self-concept. Psychological Review, 109(1), 3–25. https://doi.org/bvjp8f

Grupo de Trabalho para a Monitorização e Avaliação da ENIPSSA. (2019). Inquérito caracterização das pessoas em situação de sem-abrigo - 31 de dezembro 2019. https://bit.ly/3tOGdWb

Guzewicz, T. D., & Takooshian, H. (1992). Development of a short-form scale of public attitudes toward homelessness. Journal of Social Distress and the Homeless, 1(1), 67–79. https://doi.org/fsmd42

Hair, J. F., Tatham, R. L., & Black, W. C. (1998). Multivariate data analysis (5a ed.). Prentice-Hall.

Hinkin, T. R. (1995). A review of scale development practises in the study of organisations. Journal of Management, 21(5), 967–988. https://doi.org/d3j484

Hocking, J. E., & Lawrence, S. G. (2000). Changing attitudes toward the homeless: The effects of prosocial communication with the homeless. Journal of Social Distress and the Homeless, 9(2), 91–110. https://doi.org/c8sxzr

Klarare, A., Wikman, A., Söderlund, M., McGreevy, J., Mattson, E., & Roseblad, A. (2020). Translation, cross-cultural adaptation, and psychometric analysis of the Attitudes Towards Homelessness Inventory for use in Sweden. Worldviews on Evidence-Based Nursing, 18(1), 42–49. https://doi.org/gh78m2

Kline, P. (2000). The handbook of psychological testing (2a ed.). Routledge.

Krajewska-Kułak, E., Kułak-Bejda, A., Łukaszuk, C., Guzowski, A., Cybulski, M., Stelcer, B., Jasinski, M., & Kulak, W. (2016). Attitudes of medical students towards homeless people. Problemów Higieny i Epidemiologii, 97(4), 377–381. https://bit.ly/3ePHY11

Lester, H. E., & Pattison, H. M. (2000). Development and validation of the Attitudes Towards the Homeless Questionnaire. Medical Education, 34(4), 266‐268. https://doi.org/dz36n2

Lima, M. L, & Correia, I. (2013). Atitudes: medida, estrutura e funções. Em J. Vala & M. B. Monteiro. Psicologia social (9ª ed. pp. 201–243). Fundação Calouste Gulbenkian.

Mackenzie, C. S., Knox, V. J., Gekoski, W. L., & Macaulay, H. L. (2004). An adaptation and extension of the Attitudes Toward Seeking Professional Psychological Help Scale. Journal of Applied Social Psychology, 34(11), 2410–2433. https://doi.org/bq3526

Marôco, J. (2010). Análise de equações estruturais: Fundamentos teóricos, software & aplicações. ReportNumber.

Mather, D. M., Jones, S. W., & Moats, S. (2017). Improving upon Bogardus: Creating a more sensitive and dynamic Social Distance Scale. Survey Practice, 10(4), 1–9. https://doi.org/gcmz

Miguel, M., Ornelas, J., & Maroco, J. (2010). Modelo de atitudes face ao sem-abrigo em Portugal. Análise Psicológica, 3(27), 437–450. https://doi.org/10.14417/ap.310

Neiva, E. R., & Mauro, T. G. (2011). Atitudes e mudanças de atitudes. Em C. V. Torres, & E. R. Neiva (Eds.). Psicologia social: principais temas e vertentes (pp. 171–203). Artmed.

OECD. (2020). HC3.1 Homeless-population. https://bit.ly/3uQR0QR

Palma, T., & Maroco, J. (2008). Motivação interna e motivação externa para responder sem preconceito: Tradução, adaptação e validação das duas escalas para a população portuguesa. Laboratório de Psicologia, 6(1), 15–24. https://doi.org/gcm2

Petit, J. M., Loubiere, S., Vargas-Moniz, M. J., Tinland, A., Spinnewijn, F., Greenwood, R. M., Santinello, M., Wolf, J. R., Bokszczanin, A., Bernad, R., Kallmen, H., Ornelas, J., & Auquier, P. (2018). Knowledge, attitudes, and practices about homelessness and willingness-to-pay for housing-first across 8 European countries: A survey protocol. Archives of Public Health, 76, Artigo 71. https://doi.org/ghd9gb

Phillips, L. (2015). Homelessness: Perception of causes and solutions. Journal of Poverty, 19, 1–19. https://doi.org/gcm3

Plant, E. A., & Devine, P. G. (1998). Internal and external motivation to respond without prejudice. Journal of Personality and Social Psychology, 75(3), 811–832. https://doi.org/b7kztv

Raykov, T. (1997). Estimation of composite reliability for congeneric measures. Applied Psychological Measurement, 21(2), 173–184. https://doi.org/fp4jgg

Resolução do Conselho de Ministros n.º 107/2017, de 25 de julho. (2017). Diário da República n.º 142. https://bit.ly/2RWJky2

Snow-Hill, N. L. (2019). The survey of attitudes toward homeless people: The validation of a new instrument assessing negative attitudes toward homeless people. [Doctoral dissertation, University of South Carolina] Scholar Commons. https://bit.ly/3fkxRAp

Somerville, P. (2013). Understanding homelessness. Housing, Theory and Society, 30(4), 384–415. https://doi.org/gft2kc

Tabachnick, B. G., & Fidell, L. S. (2007). Using multivariate statistic (5a ed.). Allyn and Bacon.

Tompsett, C. J., Toro, P. A., Guzicki, M., Manrique, M., & Zatakia, J. (2006). Homelessness in the United States: Assessing changes in prevalence and public opinion, 1993–2001. American Journal of Community Psychology, 37(1–2), 47–61. https://doi.org/fwwvtw

Toro, P. A., & McDonell, D. M. (1992). Beliefs, attitudes, and knowledge about homelessness: A survey of the general public. American Journal of Community Psychology, 20(1), 53–80. https://doi.org/c39cfk

Toro, P. A., Tompsett, C. J., Lombardo, S., Philippot, P., Nachtergael, H., Schlienz, N., Stammel, N., Yabar, Y., Blume, M., MacKay, L., & Harvey, K. (2007). Homelessness in Europe and United States: A comparison of prevalence and public opinion. Journal of Social Issues, 63(3), 505–524. https://doi.org/c4c2jz

Tsai, J., Lee, C. Y. S., Shen, J., Southwick, S. M., & Pietrzak, R. H. (2018). Public exposure and attitudes about homelessness. Journal of Community Psychology, 47(1), 76–92. https://doi.org/gcm4

Wark, C., & Galliher, J. F. (2007). Emory Bogardus and the origins of the social distance scale. The American Sociologist, 38, 383–395. https://doi.org/cnf6mx

Wisehart, C. G., Whatley, M. A., & Briihl, D. S. (2013). The effectiveness of the faces of homelessness educational program on student attitudes toward the homeless. North American Journal of Psychology, 15(3), 483–494. https://bit.ly/3ffvi2A

Wright, K. B. (2005). Researching Internet-based populations: Advantages and disadvantages of online survey research, online questionnaire authoring software packages, and web survey services. Journal of Computer-Mediated Communication, 10(3). https://doi.org/d7z5cr

Wright, J. H., Brown, G. K., Thase, M. E., & Basco, M. R. (2019). Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental: um guia ilustrado (2ª ed.). Artmed.

Publicado

2021-05-31

Como Citar

Cardoso, A., Galhardo, A., Massano-Cardoso, I., & Cunha, M. (2021). Desenvolvimento de uma versão exploratória do Questionário de Atitudes em Relação à População em Situação de Sem-Abrigo: Estudo da estrutura fatorial e características psicométricas. Revista Portuguesa De Investigação Comportamental E Social, 7(1), 66–83. https://doi.org/10.31211/rpics.2021.7.1.209

Edição

Secção

Artigo Original

Artigos mais lidos do(s) mesmo(s) autor(es)

1 2 > >>